CIBER LUTA: O Remix X Interesses
Mercantes
Ouvindo os raper´s
cantando seus hip hops ou assistindo a vídeos de artistas pops, seja pela via
televisa ou pelas redes, não nos damos conta que a sonoridade, os estilos, a
filosofia de vida, enfim, o mosaico cultural que preenche as tribos urbanas do
século XXI, da qual a cultura hip hop é parte integrante, têm relação com a
evolução do que se convencionou chamar de remix.
A evolução e as
mudanças nas relações entre tecnologia informacionais de comunicação e informação
e cultura foram fundamentais para propiciar o ambiente propício a este fenômeno
que marcou os anos 70, falamos da convergência informática/telecomunicações. É
no pos-modernismo que se inicia e é durante o processo de globalização que a
re-mixagem ganha corpo, isso somado as novas mídias. Estes acontecimentos vão
consubstanciar uma nova configuração cultural, modificando as comunicações, os
processos de produção, de bens, serviços, negócios é a era da “ciber-cultura-remix.
Todo esse processo
irá também modificar a questão da propriedade de criação das coisas, no que se
diz da autoria. É no seio da lógica capital que esta ideia se legitima, onde
autores vendem suas criações mediante o pagamento de royalties.
Esses fatos geram
crises na arte e o remix vem como alternativa , dentro da era informacional,
contrapondo a ideia de direitos reservados. Os DJ´s foram pioneiros e outros
ramos da música e arte seguiram os passos desses remontadores de sons com
roupagens mais (Pos) Modernas.
O homem que
revolucionou o som originalmente criado por James Brown, rei do Soul, não
imaginaria as proporções mundiais que suas ações impulsionariam no meio social.
Afrikaa Baambataa ou simplesmente, Kevin Donovan, remixou o som do Funk e Soul,
e deu início ao movimento Hip Hop. Tal fato histórico para o mundo da música só
foi possível, por meio dos avanços tecnológicos.
Nos anos 70, não era
possível modificar as produções artísticas, nessa ideia remix que hoje está em
voga, as condições técnicas e as ferramentas de alteração ainda não estavam
desenvolvidas. No entanto, hoje, podemos e devemos dar enfoque mais
personalizado às produções que seguem essa linha de criação.
Hoje, Tanto os meios,
combatidos pela mão forte do mercado, quanto os usuários destas ferramentas
possibilitam a alteração de uma obra artística nesses moldes. Isso é
absolutamente fantástico, pois dá poder a pessoas comuns de sugerir, alterar,
recomendar, dentro de processos coletivos de construção da arte e da vida em
sociedade.
Outros meios que
surgiram e propiciaram vozes aos anônimos usuários da rede. Foram os blogs, os
podcasts, p2p, são as criações e inovações que emergem a cada dia no imenso
universo da cibercultura, que corroboram com o senso coletivo da criação e
consumo de bens produzidos de forma livre, sem a sedenta visão mercadológica do
capitalismo.
Isso não quer dizer
que os criadores deixarão de ser pagos por suas elaborações, não é isso. No
entanto, não serão direcionados apenas para a satisfação do fetichismo da
mercadoria, que cria e destrói com a mesma velocidade. O que vemos é que a intensa batalha entre a
ave de rapina capitalismo e as reais necessidades humanas está longe de acabar.
Porém, o mundo de possibilidades que abre a adoção de atitudes de criação
coletiva e re-mixagem frente aos interesses lucrativos, mostra que poderemos
avançar no sentido de não permitir que homens se apossem das ideias de outros
homens, tornando-as moeda de troca.
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